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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A poluição do arco íris

- Oi Nando! Vamos ‘as dunas ver se encontramos alguns bajurus?
- Taí, até que é boa idéia. Desde as últimas férias não vou pros lados das dunas.
E assim, conversando da linguagem própria de sua idade, foram os dois em direção da praia, buscar as dunas de areia.
Nando era o melhor amigo de Zé, e ele mesmo dizia: - O pai do Nando é um grande pescador de camarão e ainda toca na banda musical da cidade. Quando tem alguma festa na praça, o Nando me leva pra ficar bem junto de seu pai, lá no coreto, e ninguém fica mais perto da banda do que nós! Nos dias de parada cívica, eu e o Nando seguimos marchando junto com seu pai durante todo o desfile. Por isso, o Nando é meu melhor amigo.
Assim foi caminhando naquela tarde morna de julho, vadeando pela praia, como sempre gostavam de fazer, principalmente o Zé, o mais apaixonado pelo mar.
- Veja Nando! O que será aquilo?
- Parece uma ave ferida. Aproximou-se cuidadosamente.
- Ela está toda suja _ dizia o Zé enquanto tentava pegá-la.
- Que ave será essa?
- Acho que é um pelicano.
- Não seja bobo Zé! Pelicano tem sacola embaixo do bico, que nem canguru.
- Quem foi que te disse que canguru tem bico? Retrucou o Zé com ar de superioridade e completou:
- O canguru não tem sacola nenhuma não, ele tem uma bolsa na barriga pra carregar o filhote e protegê-lo do frio.
Com isso foi encerrada a discussão sobre a espécie do bicho.
- E agora? O que vamos fazer? Quis saber o Nando.
- Não sei. Acho melhor levá-la pra casa e tentarmos tirar toda essa sujeira de suas penas, senão ela morrerá com certeza.
E dizendo isso, os dois pegaram com cuidado a infeliz ave e foram correndo pra casa, esquecendo-se dos deliciosos bajurus da restinga.
- Papai, papai, veja o que achamos na praia. A pobrezinha está toda suja de piche.
- Sabemos que não se trata de pelicano. Falou Zé cheio de autoridade.
- Deixe-me ver o que vocês encontraram na praia, e que os deixaram tão eufóricos.
- Sim, claro que não é pelicano, mas uma pequena e frágil gaivota, que foi atingida pelo óleo jogado no mar por algum comandante sem nenhum respeito ‘a vida. Agora o que vocês têm que fazer é lavá-la muito bem com um pouquinho de detergente, e deixá-la secar ao sol, até que suas penas sequem e voltem ao normal. Disse o pai do Nando, depois de inspecionar com carinho a avezinha.
- Tudo bem! Pode deixar com a gente. – Falou o Zé tomando a ave nas mãos e procurando a bica mais próxima.
Depois de muita lavação, a ave continuava parcialmente limpa, com sua penas ainda pegajosas do óleo, impossibilitando-a de voar. Notaram também os dois amigos que ela estava fraca por falta de alimento.
- Puxa Zé. A ave está tão fraca e deve estar morrendo de fome. Como vamos alimentá-la?
- É muito fácil, é só a gente arranjar alguns peixes, que ela fica logo boa. -Falava o Zé com aquele ar de entendido no assunto.
Ficou então decidido que, durante as férias, os dois pescariam todos os dias para alimentar a indefesa ave.
No dia seguinte, bem cedinho, os dois se dirigiram ao Canal do Itajurú, munidos de linhas e a indispensável isca. Ficaram por quase meio dia e só pescaram duas cocorocas e um carapicu. Então desanimados, retornam ‘a casa do Nando para cuidar da gaivota, e constataram tristes que a avezinha estava ficando cada vez mais fraca.
- Vamos ver se ela come esses peixes e depois vamos dar um novo banho nela,porque as penas ainda estão muito sujas.
- Não, primeiro vamos lavá-la e depois ela come.
Depois do banho tentaram fazer a avezinha engolir os peixes inteiros, mas estava bem difícil,porque os peixes, apesar de pequenos, eram muito grandes para a garganta da pequena ave. Cortaram os peixinhos em pedaços e empurraram goela adentro da apavorada gaivota.
Feito isso, ela já dava sinais de recuperação, e isso os deixou felizes por conseguirem salvá-la da morte certa.
- Agora que ela está reanimada vamos levá-la para a praia pra ver se ela consegue pescar sua própria comida.-sugeriu o Zé, não acreditando muito nessa possibilidade
‘A tarde quando o sol brilhava para os lados da Dama de Branco e seus raios ultrapassando nuvens reluantes, transformava a alva donzela de areia, numa dourada senhora, os dois chegaram ‘a praia conduzindo a amiga emplumada para tentar sua primeira pescaria depois do desastre do óleo.
Galgando algumas pequenas dunas, foi os dois procurar um lugar na praia mais deserto e com ondas mais brandas.
- Sabe Zé, acho que devemos dar um nome ao bichinho. Chega de chamá-la de gaivota. Gaivota não é nome, gaivota é espécie da ave, e isso nós já sabemos.
- Que tal se chamasse Candy? Acho que é um nome bastante carinhoso.
- Acho que não. Candy é nome de mulher, e nem sabemos se é "ele" ou "ela".Melhor seria um nome que servisse tanto pra "ele" como para "ela".
-Que tal Dandy ? - sugeriu mais uma vez Zé.
- Acho que não.
-E sandy ?
-Também não. Acho melhor dar-lhe o nome de Brisa.
-Brisa ?
É, Brisa é um nome muito bom, porque o que sustenta as gaivotas no céu é a brisa.
-Tá bom, concordou o Zé. Brisa soa muito bem. - concordou finalmente o Zé.
E assim foi batizada a avezinha que a tudo assistia e pensava: - "Puxa, que susto! Ainda bem que me deram um nome bonito e acertaram realmente com o meu sexo. Sou uma gaivota do sexo feminino..."
Chegaram finalmente ao lugar ideal para deixar a Brisa n’água para ela tentar pescar.
- Primeiro vamos ver se ela consegue voar!
Abriram as asas de brisa e tentaram fazê-la alçar vôo, mas foi inútil, pois suas penas ainda estavam com resíduos de óleo. Depois de várias tentativas,eles desistiram e deixaram Brisa boiando n’água.
- Olha Zé, ela está nadando! Gritava o Nando, dando pulos de entusiasmo com o progresso da ave.
- Que beleza! Agora só falta ela pescar, recobrar suas forças e voltar a voar.
E assim deslumbrados com a desenvoltura de Brisa, que se sentia ‘a vontade em seu ambiente natural, os dois se sentiram muito felizes por terem conseguido dar novas esperanças ‘a indefesa avezinha. Ao mesmo tempo se sentiam um pouco frustrados por verem que a Brisa não havia pescado nenhum peixe, daí o problema de sua alimentação continuava.
- E agora Nando, como continuar dando alimento pra ave?
- Só existe uma maneira: temos que comprar os peixes pra ela.
- Comprar como, se não temos dinheiro?
- É mesmo, não será fácil. Concordou Nando, sentado naquela areia fria daquela tarde de emoções. Seus olhos estavam olhando o horizonte ‘a procura de uma solução para o problema. Ficaram ainda sentados por longo tempo, observando os últimos raios de sol que tornavam róseas as nuvens e douravam as dunas de areia. Enquanto eles admiravam o grande espetáculo da natureza, eles também sonhavam.
- Que bom seria se a gente encontrasse o pote de ouro que existe lá no fim do arco íris, assim teríamos dinheiro bastante para comprar peixes e alimentar a Brisa o resto de sua vida.
- É seria muito bom, mas com a poluição que existe no mar, nem arco íris tenho visto ultimamente. Mas eu acho que isso tudo é lenda, não existe nenhum pote de ouro e nem arco íris aparece mais - concluiu o Nando, ainda com os olhos percorrendo o horizonte e a mente procurando uma solução.
De repente, o Zé teve uma idéia.
- Já sei! Amanhã é sábado e vamos levar a Brisa pra pescar lá no Forte. Lá têm muitos peixes e aproveitaremos pra pescar também. – Falou como um profundo conhecedor do local.
- Ótima idéia. Vamos no bote de papai, assim poderemos ir até o Morro do Farol, e a Brisa assim pescará ‘a vontade.
Assim ficou combinado. Retiraram a Brisa da água, e retornaram ‘as suas casas. Na volta tiveram uma surpresa: - Veja Zé,as penas da Brisa já estão quase totalmente limpas. O sol e a água salgada tirou quase todo o óleo.
-É mesmo, acho que com mais alguns banhos, ela ficará totalmente limpa.
E assim conversando e traçando planos para a pescaria do dia seguinte, os dois amigos regressaram 'as suas casas.
No dia seguinte, bem cedo, seguiram pro Forte São Mateus, para tomarem o barco ali atracado.
- Olha Nando, a maré está vazando e têm muitas gaivotas sobrevoando a boca da barra, isso é sinal de que têm bastante sardinha ali. E sardinhas é prato preferido delas.
Tomaram o bote e remaram em direção do Morro do Farol, tomando cuidado com Brisa que se mostrava impaciente querendo pular dentro d'água,atraída talvez pelas aves da mesma espécie que sobrevoavam graciosamente sob o sol quente daquela bela manhã.
- Aqui já está bom. Jogue a "poita" Nando. Depois do bote devidamente apoitado, iniciaram a pescaria, antes, porém,colocaram cuidadosamente a Brisa dentro d'água.
- Olha Nando, foi aqui nesse morro que há 500 anos o navegador Américo Vespúcio construiu uma feitoria em nossa terra, e por isso a cidade de Cabo Frio comemora tantos anos de descobrimento.
O tempo foi passando e a pescaria se mostrava razoavelmente boa, e a Brisa, que estava ligada ao bote por um longo fio nylon, ainda não pescara nada, mas era visível a sua recuperação. Principalmente quando nadava na direção dos peixes que eram atirados pelos dois pequenos pescadores.
Pescaram e se divertiram bastante, aproveitando a tranqüilidade daquela linda manhã ensolarada, e contente com o progresso da Brisa, que já fazia tentativas de vôo.
Diz Nando com os olhinhos cheios de alegria:
- Veja a Brisa! Ela está ficando branquinha, já não tem quase óleo nas penas, e em breve estará voando, se deus quiser.
No dia seguinte eles retornaram ao local na esperança de repetir a boa pescaria do dia anterior.
- Será que hoje teremos a mesma sorte de ontem Zé?
- Não sei não, o tempo está muito paradão, e estão aparecendo nuvens escuras lá pro lado de Arraial do Cabo. Acho que vai chover.- enquanto falava, p Zé observava o tempo como um perfeito conhecedor da matéria. Observando o tempo os dois começaram a pescar, tendo a preocupação de colocar Brisa dentro d'água, sempre amarrada por um fio de nylon.
Estavam pescando há duas horas e não conseguiram nenhum peixe. O Nando era o mais desanimado, pois perdera sua linha de pesca nas pedras do fundo, e isso o deixava mais frustrado. Até a Brisa estava quieta, talvez pela falta de peixe, ou por pressentir a aproximação do mau tempo.
O tempo ficou escuro de repente, como se fosse cair grande chuva. O mar estava negro e liso, como espelho, o ar parado e não havia nenhuma ave no céu.
- Tempo esquisito, hein Nando. Até a Brisa está quieta. Acho melhor a gente ir embora.
- Bobagem! Daqui a pouco o tempo melhora. Olha só para os lados da restinga, lá já clareou, não demora o sol abre de novo.- dizia Nando, tentando animar o companheiro.
De repente desabou o maior toró sobre os dois pequenos pescadores, que sem abrigo ficaram ensopados, inclusive perderam o lanche que haviam trazido,molhando dentro da água acumulada no bote.
Assim como veio, a chuva se foi. O sol voltou a brilhar com maior intensidade ainda, deixando os dois alegres e com esperança de pescar algum peixe.
Mas, acontece algo espetacular.
- Olha só Zé! Um "baita" arco íris! Agora tenho certeza de que não vai chover mais.
- Que beleza! Exclamou Zé, cheio de admiração pela beleza que o cenário lhe oferecia.
- Agora era a hora da gente ir buscar o pote de ouro do arco íris. Era só a gente ir seguir de barco na sua direção, apanhar todo aquele ouro, e a Brisa nunca mais precisaria pescar para comer.
A Brisa tudo ouvia, mas impossibilitada de voar, nada podia fazer. Limitava-se a olhar para seus dois protetores com carinho e ficava com muita pena dos dois, pela sua preocupação.E pensava:... -"Se eu pudesse voar iria agora mesmo buscar o tal pote de ouro para o Zé e o Nando. Eles são bons amigos e estão preocupados comigo".
De repente, Brisa nota que nada mais a prendia no bote. O nylon preso em sua perna soltara-se como que por milagre, e ela finalmente pôde nadar livremente.
- "...Puxa, que maravilha! Agora estou livre,posso finalmente ir buscar o pote de ouro no fim do arco íris..." -assim pesando a Brisa foi se afastando em direção ao arco colorido que decorava aquela manhã após chuva, sem que os dois notassem.
- Nando, cadê a Brisa?
- Não sei... – Olha ela lá, Brisa... Briiisa - gritava Nando, vendo a Brisa se afastando, indo em direção ao mar alto.
- Brisa, Briiiisaaaa, volte! Você ainda não pode voar!
- Volte Brisa, nós precisamos cuidar de você.
- Briiiiisaaaa!!! - gritaram a uma só voz os dois amigos vendo a pequena ave que ia desaparecendo na direção do horizonte.
- Volte, por favor. Sem poder voar você não sobreviverá. Volte Brisa,nós amamos você! – e o pranto embargou-lhes a voz e grossas lágrimas rolaram por suas faces infantis.
Mas a Brisa não mais ouvia os apelos comovidos das crianças, continuou nadando em direção ao infinito, qual uma vela branca se afastando no horizonte de dois puros corações. Finalmente desapareceu da vista dos inconsoláveis amigos que ainda conseguiram balbuciar: - Não morra Brisa, nós precisamos de você.
Depois de alguns minutos de completa tristeza, retornaram em silêncio pra casa; antes, porém, lançaram o olhar para o arco íris.
- Acho que nunca mais veremos a Brisa. Na certa não terá condições de pescar e morrerá no mar.
- Vamos torcer para que a água salgada retire totalmente todo o óleo de suas penas e ela possa voar novamente. –falou o Zé sem muita convicção do que dizia.
Enquanto isso, a Brisa nadava, nadava, nadava e pensava: - o final do arco íris é um bocado longe. Já estou nadando há horas e não consigo chegar lá.
Horas depois, exausta e enfraquecida pela falta de alimento, via com tristeza que suas forças se esgotavam e que nunca alcançaria o almejado pote de ouro.
De repente, quase desfalecida e sentindo que ia morrer no mar, apareceram duas grandes e brancas gaivotas, que depois de darem algumas voltas ao seu redor, tomaram-lhe pelas asas e com ela voaram. A Brisa sem-inconsciente, a tudo assistia sem entender o que se passava. E no torpor da semi-incosciência ela pensava: - Meu Deus! Agora estou entendendo tudo. Eu já morri e essas duas aves brancas não são gaivotas não, elas são dois anjos que vieram do céu me buscar. Que pena. Nunca mais voltarei a ver o Nando e o Zé, e nem terei o pote de ouro.
E assim amparada pelas amigas, a Brisa foi levada aos céus em direção ao espetáculo colorido da natureza. E subiram, subiram, subiram até uma distância bem próxima do sol. Acontece que com a aproximação do sol, o petróleo que inda restava em suas penas foi-se derretendo até deixá-la comletamente limpa e branca como as duas companheiras.
Nesse instante, foi que a Brisa compreendeu o milagre da natureza. Ela sentiu-se leve e com capacidade de voar, e num misto de espanto e alegria soltou-se das companheiras e fez alegres evoluções pelos ares.
- "... Que maravilha! Já posso voar de novamente! Agora poderei ir buscar finalmente o pote de ouro para o Nando e o Zé..." - naquele instante a Brisa notou que o arco-íris havia desaparecido e com ele o sonhado tesouro. Foi então que ela compreendeu tudo: A lenda do pote de ouro está ali. Ela acabara de vivê-la. A lenda estava contida no milagre de sua sobrevivência. Ela conseguira o pote de ouro através de sua liberdade. Agora ela podia pescar e voar, sem precisar daquele ouro.
Entendera finalmente uma lição: - O maior tesouro da vida é a natureza, sem ela não conseguiremos sobreviver. A lenda do pote de ouro mostrou-lhe o caminho da sabedoria, fazendo-lhe ver que nenhum ouro do mundo pagaria a sensação de liberdade e a felicidade que sentia naquele momento.
Não devemos deixar poluir o arco íris,porque ele é a indicação da pureza. Através dele encontramos o tesouro da felicidade.
Passado o instante de euforia e reflexão, Brisa sentiu saudades de seus amigos meninos.
- "... Como eu gostaria de rever o Zé e o Nando. Gostaria que eles me vissem voando. queria que eles vissem que já posso pescar e sobreviver por meus próprios meios. Vou voltar 'a praia pra ver se os encontro..." .
Assim pensando,dirigiu-se de volta ‘a praia do Forte, onde viu pela última vez seus amigos.
Descobriu decepcionada que as crianças lá não estavam mais, com certeza já haviam retornado 'as suas casas.
Encontrou, no entanto, muitas outras gaivotas, e com elas ficou pescando até que a noite chegasse.
Passaram-se duas semanas e os dois amigos não tinham esquecido a Brisa.
- Que pena que a Brisa foi embora. Será que ela morreu? – pergunta Nando enquanto peregrinava pelas dunas com seu amigo Zé.
- Acho que não. Ela já estava bastante forte e capaz de conseguir seu próprio alimento.
Caminhavam pelas dunas e davam asas a sua imaginação, pensando no teria acontecido com a Brisa.
- Olha Zé! Quantas gaivotas! Parecem que encontraram um bom cardume. Será que a Brisa está entre elas? Gostaria tanto de saber se ela sobreviveu.
Nesse momento uma gaivota muito branca se destacou das demais, ficou observando e foi na direção dos dois. Ficou por uns momentos pairando no ar, e observando os dois, em seguida, em vôos rasantes e soltando gritos estridentes,se aproximou numa demonstração inequívoca de amizade.
- É a Brisa!É a Brisa!...Briisa ... Briiiisaaaa - gritava o Zé, enquanto corria pela praia com os olhos na amistosa ave.
- É ela mesma! A reconheceria em qualquer parte do mundo! Briiisaaa, somos nós, eu e Zé, lembra-se? Olha só, Zé, como ela está bonita e como voa bem!- nós sentimos muito sua falta, Brisa. Não vá embora outra vez,por favor.
- "... sou eu mesma, amiguinhos queridos, que prazer encontrá-los novamente. Eu nunca perdi a esperança de ^vê-los de novo e estou muito feliz por ver que voces não esqueceram de mim. Estou feliz também ,por saber que voces continuam puros e cheios de amor pela natureza..." - enquanto pensava a Brisa sobrevoava os amigos.
- "...Olha amigos, eu encontrei o tesouro do arco íris. Não precisei ir muito longe para ver que o maior tesouro está nos corações das pessoas, principalmente nos corações puros de crianças cheias de amor como voces. Amem com toda a força de seus corações. O mundo pertence a voces, e quando forem grandes lutem pela preservação da natureza. Não deixem que o arco-íris colorido de seus sonhos seja poluído por pessoas desprovidas de sensibilidade e amor. Agora tenho que ir, adeus amigos,tenho que me juntar ‘as minhas amigas e continuar a pescaria.
- Adeus Nando, adeus Zé! Nunca me esquecerei de vocês!..." – e num vôo bem rasante quase tocou com as pontas de suas asas a cabeça dos meninos, seguindo seu caminho.
- Ela está indo embora, Zé. Adeus, Brisa, nós estamos sempre aqui na praia te esperando. Não se esqueça de nós, nós te amamos. Adeus Brisa – falava o Nando se com os olhos molhadosp elas lágrimas puras que brotavam de um coração bondoso.
- Adeus, Brisa, não a esqueceremos jamais. Você á a gaivota mais linda do mundo – falava Zé,com os olhos marejados, enquanto fitava a ave que se afastava na direção do horizonte sem fim.
E os dois amigos ficaram por mais um longo tempo em silêncio sentados na areia úmida da praia. Seus olhos molhados fitavam pontos diferentes do mar, mas convergiam na direção da saudade.
Tão absortos estavam em seus pensamentos, e com os corações inundados de amor, que não perceberam que distraidamente haviam escrito na areia a mesma frase:
"Adeus Brisa, nós te amamos".

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Minha brisa, meu amor

Sou feliz
Sim, eu sou feliz
Feliz por Deus me permitir
Que na minha idade adulta
Me sinta apaixonado.

Sou feliz
Por ter outra vez a capacidade de amar e ser amado
Por permitir que me sinta novamente como um adolescente
E sinta a sensação de um primeiro amor.

Você é a felicidade que surgiu como uma jovem brisa
Que retorna de um passado muito distante,
Mas consegue fazer vibrar a todo instante,
Um coração que te amou outrora
E do vigor do teu amor precisa.

Queria poder te amar com calma, com paciência
Sem pensar, só te amar.
Queria adormecer e só acordar quando pudesse estar com voce
Queria ter teus seios amigos e macios para repousar minha cabeça
Queria aconchegar-me ao teu corpo e sentir as vibrações
Desse pequeno coração que abriga um grande amor.

Eu queria o teu amor sem adeus, sem despedida.
Queria que voce fosse minha companheira e me acompanhasse por toda a vida.
Queria que voce me permitisse fazer parte do teu mundo até o fim de tua existência.

Leva-me contigo amor
Seja a minha vida, não me deixe nunca mais.
Acredite: "ninguém vai te amar tanto quanto eu te amo".

Se tudo isso acontecer
Então eu serei feliz.

Pierrot sem colombina

E de você, meu amor
Que comigo nem brincou
Guardo em lembrança o carnaval
Que chegou ao final
Mas em meu coração não acabou.

Na fantasia dos meus sonhos
Foste o destaque que desfilou
Na passarela do meu coração
Só a saudade restou.

Não foi a música que cantei
Nem o cheiro de lança no ar
Foi aquele momento sublime
Que encontrei o teu olhar.

Mais uma vez o adeus

Sinto que algo em mim está acabando
Uma coisa tão boa está fugindo do meu ser
Procuro me refugiar nas múltiplas atividades
Tentando me absorver e cansar minha minha mente
Procuro não pensar na crueldade
Que a vida mais uma vez me impõe
Deixando-me desprovido de sensibilidade e criação
Queria ter você meu amor
Queria ter você, mas não posso
Queria te amar não deixam.
Acho que o nosso amor acabou
Mais uma vez terei que abandonar você
Outra vez a hipocrisia mata um sonho de amor
Venceram nossos sonhos
Mataram nossas ilusões
Não bastou a gente querer.

Menina, Mônica, Debutante

Mônica nasceu
Nasceu a Mônica num belo dia
Mônica cresceu
Cresceu a Mônica bela e sadia
Não chore Mônica
Sempre sorria!

Nasceu menina
Cresceu sadia
Bela criança
Um pouco arredia
De repente está moça
Chegou o dia.

Depois a escola
Um novo horizonte
Nos ombros a sacola
Ideais aos montes

Caminha segura
Pelo mundo pela vida
Por trás dá segurança
Uma família querida.

Orgulhe-se do teu berço
Dos amigos, dos teus pais
Não se esqueça de lembra Mônica,
Dos seus ancestrais

Segue pequena Mônica
O seu caminho de vida
Que sua estrada seja de flores
E não sejas nunca ferida.

Hoje cinderela debutante
Amanhã moça mulher
Se Deus quiser nunca te falte amor Mônica
Se Deus quiser, se Deus quiser.

domingo, 16 de agosto de 2009

Miragem

Caminha andarilha alma
A lua na areia deitada
Sua imagem nos mares circula
Pensamentos distantes
Sonhos acumulados
Horas incompletas
Carícias interrompidas
Sonhos de outrora
Recolhidos em minh' alma
Deserto do meu coração
Sua miragem é real
Vieste do mar
Chegaste com o sol
Carente, indecisa
Presa num olhar
Cavalgando uma brisa.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Você é a brisa

Você chegou como a brisa
E na praia ficou
Tua beleza me alisa
Tua presença me deu amor

Você mulher criança
Tens um andar vibrante
Poesia que fascina
Tens um olhar provocante

Você é ternura presente
Com lábios de amor me conduz
Passo seguro, tristeza ausente
Sorriso lindo e cheio de luz

Diante de tua beleza e encanto
O mar ciumento joga suas águas
Se atirando na praia,
Tentando teu corpo tocar
Isso me deixa orgulhoso por te amar.

Como vai você?

Não estás aqui
Mas sei que me escutas
O vento forte que sopra nossa praia
Levará minha saudade sonora em forma de canção
Perguntando-te assim
- Como vai você?

Você

De repente você aparece em minha vida
Foi se chegando pra mim e ficou
Essa imagem primeira guardo ainda
Ingênua, jovem e linda
Moreninha que me escravizou

É um templo da meiguice
Olhos de ternura e emoção
Cabelos que balançavam ao vento
Teus grilhões aprisionam meu coração


Pra Você:

Somente ao seu redor construirei muralhas intransponíveis de poesia e carinho.

No silêncio

Há um enorme tesouro no silêncio que nos envolve
Há uma eterna procura em nossos olhares
Há movimentos tímidos, contatos excitantes
Há sua presença em todos os lugares
Há a marca de teu amor a cada instante

Há vibração rósea de teus atrevidos seios
Há seu ventre macio e latejante
Há torpor em teu corpo que descansa
Há uma fera domada e ofegante
Há uma fêmea lasciva e mansa

Há repouso e o silêncio adormece
Há a certeza do amor realizado
Há o conforto do fato consumado
Há seu corpo adormecido e saciado
Há mãos unidas e um coração entrelaçado
Há o silêncio profundo que não foi quebrado.

Espera

Ah! Vida desgraçada e ingrata, que não permite minha felicidade.
Sociedade injusta que não me permite amar a quem mais quero, me obrigando a uma solidão não desejada.
Porque pessoas mesquinhas não conseguem ver num amor sincero de duas pessoas?
Será que Deus não pode fazer alguma coisa pra gente?
Será que um amor tão bonito, não terá o direito de se realizar plenamente?
Será que não poderei dedicar o que me resta de vida, a um amor tão puro?
Acredito no seu amor, ajude-me. Estou tão só, preciso de você, essa distância me apavora, quero você junto de mim.
Ah! Saudade maldosa que se aloja em meu coração, como poderei conciliar um amor tão grande com a saudade tão forte, sem tumultuar minha mente?
Ah amor! Doce ilusão é minha vida.
Você nasceu como a brisa. A mesma que veio do passado, trazendo fragmentos de um amor jovem, que ficou adormecido.
Agora o destino bom me trouxe você de acaso ‘a minha existência.
Quero te abraçar e com meus lábios enxugo tuas lágrimas.
Quero te sorver e de você tirar toda a tristeza que te foi causada.
Quero que você tenha certeza de que teu amor é tudo que desejo do mundo.
Não duvide de meu amor.
Lembre-se: - Ninguém jamais te amará como eu te amo.

Pedaços coloridos de uma saudade

Pequenos círculos simbolizam uma saudade
Foi você quem coloriu meus dias de folia
E hoje desprezado e esquecido
Varrido pelos ventos fartos
Esquecido, ainda é encontrado nas dobras de minha fantasia

Daquele carnaval uma saudade ficou
Não foi a fantasia ou a música que me fez te amar
foi a eternidade daquele momento sublime
que fiquei a tua frente te amando com o olhar.

Uma saudade simbolizada
Na fragilidade colorida de um confete
Um rosto pintado que o amor reflete
O amor do pierrot pea colombina
Mais uma vez se repete.

Pedaços coloridos de uma saudade
Caindo do céu, beijando teu rosto
Acariaciando os cabelos que já não são meus
Essas gotas que orvalham
Uma festa, um adeus

A avenida vazia
Nas arquibancadas um folião distraído
Grossas lágrimas de saudade
Rolam por uma face pintada
Retirando-lhe a máscara,
Revela um grande amor incontido.

Olhos que falam
Apesar dos anos de distância
Olhos nos olhos, coração na boca,
E a mesma paixão louca
Que acena com uma esperança.

Se

Se eu tivesse a velocidade
Que tem meu pensamento
Eu te diria nesse instante
Toda a felicidade
Que sinto nesse momento

Se eu tivesse, meu bem
A sorte que tem a bela Lua
Iluminava teu caminho
E morava na tua rua

Se eu tivesse um dia
A sorte que tem o mar
Na tua praia viveria
Só pra teu corpo beijar

Se eu tivesse na vida
A sorte de ter você
Da vida eu só queria
Amar você e morrer

Se eu tivesse você
Minha vida renasceria
Morrendo de amor em teus braços,
Vencido pelo cansaço
A teu lado adormecia.

Redescobrindo

Caminho pela rua à direita
Me abrigando de porta em porta
Era noite e a cidade estava morta
Caía uma chuva fina que corta.

Depois vem o Largo do Casamenteiro
Um trôpego vulto indiferente
Indigente que caminha sem prumo
Passos na noite marcando a minha mente
Chuva que cai, bêbado sem rumo
Bebendo a chuva, e sonhando simplesmente.

Agora o Itajurú antigo
Corro molhado pelo espaço vazio
Procuro em vão um abrigo
Só encontro um cão amigo
Que molhado como eu, também tirinta de frio.

Adiante vejo a Fonte
Derrotada e esquecida de sua estória
Azulejos bordados, quebrados, molhados
Herança cansada do passado de glória.

Finalmente o abrigo
Chego a casa molhado e a chuva estia.
Percorri as mesmas ruas de sempre
Só que dessa vez a chuva me fez ver
Coisas que sempre existiu sem eu saber.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Terra querida

Ah, que saudade que eu tenho!
Disse o poeta um dia
Eu também tenho saudade
Da minha infância querida

Águas correndo no Itajurú
Gaivota suspensa nos ares
Bela Dama de Branco ornada de bajuru
Pequenos barcos singrando os mares
Velas enfunadas rumando ao sul

A tarde boceja preguiçosa
Sobre as águas de infinito azul
Nuvens sonolentas em passos letárgicos
Preparam os ventos que apontam pro sul

A natureza aos poucos adormece
O vento vem e varre a Dama em euforia
E dedilha na areia um imenso teclado
Melodiosas notas, inacabada sinfonia

Correm as águas de pálido semblante
Serpenteia o canal e deságua ao mar
Devolve depois furtivo assaltante
De líquido cantante que nele foi buscar

E a noite desce serena
E o vento sopra do mar
Da onda só vieram ‘as rendas
Que o mar caprichoso faz bordar

Na Lagoa majestosa ponte
Um pescador de olhar distraído
Um canal com mesmo nome da fonte?
Será boneca ou anjo Caído?

Onde estão os cajueiros?
Pra onde foram os pitangais?
Gabirobas no verão,
Jaboticabas nos quintais?

E suas filhas morenas
Nas praias serenas
Deitadas na areia
Se caminharem tem graça
E parecem sereias

Nem se importe com o que dizem
Seu nome é grande e tem fama
Desde a Ponta da Armação
Até o Cabo da Rama

Se pouco mais velha
Continuas vaidosa e bela
Com quase quatrocentos
Bem parece uma donzela
Com ar sempre de moça
Que transpira primavera

Parabéns pra você
Minha terra querida
Abraças o forasteiro
E nunca é esquecida
Obrigado pelo amor
E por toda a minha vida

Terra como essa aqui
Em outro lugar não há
Se não és feliz daqui
Não serás noutro lugar
É amando nossa terra
Que temos força pra amar.

Alforria

É chegada a hora de ir embora
Filho, você alcançou maior idade
Sou tua mãe, aquela que chora
E tua lembrança me dará saudade

Leve contigo o meu passado
Minhas glórias e descobrimento
Das casuarinas ouvirás meu pranto
Sentirás as lágrimas e meu sofrimento

Passaram-se quatrocentos anos
Vivestes na alegria e sem dor
Embalado na placidez de lindas praias
Ouvistes acalantos de amor

Com você se vai ‘a chama
De todo um passado de glória
Américo Vespúcio, do Cabo da Rama
Na praia dos Anjos começou minha estória

Vai meu querido filho
Segue seu caminho de vida
Mantenha sempre teu nome
Que herdastes de sua mãe querida

Nessa nova vida e destino
Que tenhas dirigentes do coração
Para elevar o teu nome
E conduzir tua emancipação

É uma estória de filho pródigo
E se repete de novo
Mas dessa vez não tem volta
É a liberdade de um povo

Grite do Alto de Atalaia
Com tua maior veemência
Pra todo Brasil ouvir
Teu grito de independência!

Fragmentos de você

Vento que sopra
Areia que corre
Lembranças que doem
Saudade que morre

Não te vejo ao meu lado
Nem te sinto perto de mim
Minha solidão é enorme
Essa dor não tem fim

Onde está teu corpo quente, com perfume de flor,
Que ao toque de minha mão estremece?
Onde está teu corpo macio, amante amor,
Que meu corpo não esquece?

Porquê?

Porque isso conosco?
Por que o tempo não passou tão depressa?
Veja amor, o que Ele fez com a gente?
Sempre te amei!
Marcas profundas pela sua ausência ficaram em mim.
Diga-me amor, porque Deus permitiu que em meu exterior se mostrasse o tempo, mas continuou deixando te amar por dentro?
Ele deixou sim uma eternidade se passar sem você comigo, mas também me deixou te reencontrar?
E deixou que as lembranças arquivadas do passado fossem revividas.
Como me sinto culpado por não ter participado de tua existência, amor!
Bastou de novo sua presença e renasceu em mim a chama de toda energia do amor.
Depois de tudo agora sim podemos ficar juntos.

Sempre você

Veio amor assim de repente
Aquela manhã caliente
A praia uniu realmente
Eu e você novamente

O carnaval no primeiro dia
Teus olhos me fitaram
Foi grande minha emoção
Maior minha alegria

Assim tinha que ser
Assim o destino quis
Tirou-me você por tantos anos
E agora me permitiu ser feliz

Amor amigo, amor antigo
Vibra com ardente paixão
Amor capaz de mostrar nos olhos
O que te vai ao coração

Deixo seu corpo cansado
E se de você me ausento
Separamos nossos corpos
Mas fica o meu pensamento.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Gente miúda

Corre criança, corre
Corre com os pés livres do chão
Olhar sorrindo, estendendida mão
Ganhando sua vida, pedindo pão
Debilitado corpo, vibrante coração.

Pequenas vítimas de governante esperto
Carinha suja, sorriso correto
Vive sorrindo sob céu aberto
Caminha trôpego pra um futuro incerto

Adorado num altar
Pixote na tela
Nem pensa na glória
Só na vida que é bela
Seu escuro caminho,
A sua aquarela

Chore pequena gente
Chore para o mundo te ouvir
Grite para essa gente grande
O seu incerto porvir
Não peça por sua fome
Peça para onde ir

Menor carente
Pobre e assustado
Vive sorrindo no meio da dor
Foge do frio, corre da fome
Morre de medo e desamor

Está na rua ao amanhecer
Lavando carros, lavando a vida
Vai pra escola e não sabe ler
Embora com a vida tudo aprenda
Melhor que os livros é a comida
Melhor que as aulas é a merenda

Pequeninos órfãos de todos nós
Nós te amamos mas nada fazemos
Nos orgulhamos de um cão de raça
Mas um carente nós não queremos

Voe menino como um passarinho
Fuja desta vida desgraçada e pobre
Emigre para um lugar onde tenha um pouco mais de carinho
Onde a gente grande seja mais bondosa e nobre

Lute pela infância tão desrotejida
Conserve sua humildade de natureza inculta
Não cresça nunca, nem se torne grande
Não seja mais uma pessoa hipócrita adulta

Moço, eu cresci
Já sou quase grande
Não sou mais aquele pivete infantil
Hoje sou mais respeitado
Tenho pomposo nome
De delinqüente juvenil

Fugi de casa e tinha outro nome
Mas hoje já não lembro qual era
Fui batizado muitas vezes e com nomes importantes
Fui trombadinha, , carente, pivete, pixote e tal
Hoje já sou grande do tamanho dos adultos
Já saí até no jornal
Engraçado!
Meu nome masi uma vez foi trocado
Hoje os adultos, assim como eu, me chamam de
Marginal.

Réquiem para uma Dama de Branco

  • Dama de Branco
    Amada e acariciada pelos ventos fortes e bondosos
    Catedral ecológica de pureza finda
    Morre Virgem, com seu manto rasgado e ventre dilacerado
    Pelo progresso criminoso
    De homens cegos, surdos e vaidosos ainda.

    Oh paisagem do meu amor menino
    Alisando minha pele com teu fino véu
    Trazendo aqui para o chão
    A via láctea do céu.

    Oh mãe que me viu nascer
    E me embalou em teus ondulosos seios
    Madona de pureza branca quando a aurora vinda
    Dourada senhora quando a tarde finda.

    Pirâmide de alvura
    Herança faraônica de reis da natureza
    Que em momentos de grandeza
    Olhando o céu com nobreza
    Transportou para o chão sua realeza.

    Olimpo tupiniquim de um povo bravo da beleza amante
    Ferem teu alvo ventre, rasgam o teu véu
    E sob teu manto sagrado, um corpo ondulante
    Cuja chama de tua vida, seus filhos levarão avante.

    Sai da praia, corra, voe por sobre a restinga
    Dobre a samambaia em seu caminho
    Refugie-se junto a outro mar
    Em praias de gente mais amiga
    Não deixe que maculem ainda mais o seu corpo
    Vá procurar outro carinho.

    Dama querida
    Sonho de minha infância florida
    Gaivota livre a voar em suas fraldas
    Galgando os píncaros de imaculada alvura
    Olhada da praia pelo vaidoso mar
    Imenso súdito a te devotar ternura.

    Dama
    Pequeno Saara de minha vida
    Oásis refrescante para olhos poluídos
    Que só conseguem ver beleza
    Através de tuas lentes.

    Não deixe que lhe tirem o véu
    Não lhes mostre sua pele alva, profanada por suas máquinas
    Não permita que a serpente negra do caminho de asfalto
    Macule mais uma vez o santuário branco de nossa devoção
    Não deixe que lhe roubem o manto
    Nem que lhe tirem o coração.

    Vai Dama de Branco
    Segue seu caminho sem volta
    Leve nas suas areias ondulantes, o seu grito de amor
    Calvário de sua jornada inglória
    Gólgota da tua dor.

Santinho

Tens a simplicidade de uma criança a sorrir
Suas canções até os ventos sabem cantar
Uma nuvem branca em sua cabeça pousou
Um grande amor você transmite no olhar

Poetinha moreno de versos barrocos
Suas trovas são simples de amor presente
Falas do mar e de gaivotas vadias
É grito poético da terra da gente

Canta poeta, canta
Seu sonho, sua eterna lida
Seus versos ficarão gravados
Na praia de nossas vidas
E sua bondosa imagem
Jamais será esquecida.



Trancrevo aqui "Aos Críticos"

"Aí estão os meus versos
Não tem metrificação.
Escrevo aquilo que sinto
Sigo a voz do coração."

Saudoso Vitorino Carriço - Santinho
(Sonetos Mar e Amar - 1965)

Banzo

Nas raízes da nação brasileira
Ecoa a dor do lamento
Negros em sofrimento
Nas senzalas de senhor
Oprimidos pela chibata
Refugia-se dentro da mata
Fugindo do opressor.

O grito maior dos Palmares
Ainda ecoa pelos ares
Num anseio de liberdade
O negro Zumbi encontrou
No quilombo de Alagoas
Alguma felicidade.

Vitimados pelo banzo
Levaram muitos ‘a tumba
O quilombo prosperou
Guiado por Ganga Zumba.

Aos nossos irmãos de cor
Uma diferença é preciso que se faça
Preta é a sua cor
E negra é a sua raça.

Hoje o negro se orgulha
Do ébano da sua cor
Comemora a sua data
Acabou-se o capitão da mata
Hoje só existe amor.

Amena Mayall

Deixo aqui um espaço para nossa amiga, querida e saudosa Amena Mayall.Uma mulher guerreira,que dignificou sua existência lutando pela preservação da natureza,em nossa cidade.Seu grito em defesa da natureza ainda ecoa e deixa marcas em nossos corações.
De exemplo fervoroso e cultura vasta, nos trouxe os primeiros centros culturais que ela mesma administrou com tanto carinho.
É pra você Amena, que dedico aqui o reconhecimento do povo de Cabo Frio por sua contribuição social de valor inestimável.

Movediça rebelde

Oh céus! Sopre do sul, trazendo a Dama de Branco
E a traga de volta ‘a Praia do Forte
Não deixe que as máquinas a levem ‘a morte
Faço-te o pedido, acalme meu pranto

Dama de Branco não vá para a restinga
Não se conforme, lute para sobreviver
Agarra-te aos bajurus de seu caminho
Venha dormir em seu berço e viver.


Descanse em paz Amena.

Navegando

Navegando pelo corpo fluido
Desse mar tão meu
Vejo o verde azul
Através dos olhos teus
Caminho d'água que encaminha
Uma saudade que já foi minha
Mas que naquela praia ficou sozinha
Quando voce apareceu

Voce existe,o amor existe
Tua imagem presente em mim
O grito do amor maior
Ecoando pela natureza
Ecos de um passado distante
Resume naquele instante
Um sentimento sem fim

Tudo se agita,o mundo sorri
De minha voz a alma grita
O amor existe,ele está aqui
Ele está em mim,ele é voce
Voce é meu amor,eu te amo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Maria da praia e João do mar

Havia na praia da Barra,ainda deserta
Uma jovem chamada Maria
No corpo mulher,na mente menina
Caminhava sozinha quando a tarde se ía

Maria da praia,dengosa e faceira
Cabocla morena miscigenada de raça
Cabelos soltos ao vento e olhar profundo
Corria na praia,deslizava com graça
Formava ali o seu mundo

A sensível Maria vivia sonhando
Com um príncipe encantado de sua origem
Mas tudo que tinha era sua praia
Que pura como ela também era virgem

Sonhava a nativa bem junto do mar
Seus sonhos de amor e fantasia
E pedia as ondas que vinham
Levassem embora sua solidão e agonia
E olhando o horizonte sem fim
Sussurrava que lhe trouxessem ventos de areias
E assim quem sabe Netuno e um cortejo de sereias

Vivia Maria olhando o mar
Caminhado sozinha na tarde serena
Pisando macio na areia da praia
Esguia gazela de pele morena

Corria Maria na praia e na vida
Atrás de um amor que nunca chegava
Enquanto corria Maria sonhava
Com uma vida nada vazia
E por isso sorria

Um dia seus olhos começam a brilhar
De tanta emoção
E Maria menina conhece o amar
Estava amando,amando João

João pescador,bravo homem do mar
Vivia pescando,sem tempo pra amar
Apesar da rudeza era um sonhador
Maria era a sereia que sempre buscou
Para o João chegava o amor

Maria agora não caminhava sozinha
Com ela na praia João sempre estava
Tinham os mesmos sonhos
O sonho de Maria se realizava

Os dias passavam
E junto ao mar lá estavam
De mãos unidas e olhar perdido
No silêncio ficavam
Num amor incontido

Combinaram então suas vidas unir
Na cerimônia de simplicidade
Numa tarde vermelha
Seriam um do outro
Maria era só felicidade

No dia do casamento João logo cedo saiu
Voltaria já e depressa bem antes no entardecer
Mas o dia quase acabando
E nada do João aparecer

A tarde bem finda
João nem regressava
Maria correu pela praia
E a todos perguntava
Maria vestida de noiva
Procurava o João que amava

E Maria da praia
Esperando o João do mar
O sol a encontrou ainda
Na areia a soluçar

Quem passava pela praia
Ficava com pena de ver
Aquela mulher de branco
Pelas areias a correr

Maria ficou sozinha
Triste e na solidão
Sua praia está mais deserta
Mas não está seu coração
Ele está cheio de saudade
Sente falta de João

E Maria continua vestida de noiva
Solitária em sua praia assim
Fitando o horizonte distante
Esperando sua dor ter fim

Muitos anos se passaram
E o progresso tudo mudou
Até sua praia querida
Já se modificou
E lá continua Maria
Esperando o amor que não voltou

O vestido de noiva é o mesmo
Mas a juventude acabou
Seus passos são lentos na areia
Os cabelos perderam a cor

Daquele amor só restou
A saudade e ternura
A praia já não é a mesma
Mas Maria ainda é pura

Assim foi a estória
De um amor puro e singelo
Maria e João construíram um castelo
E o mar com ciúmes destruiu o amor tão belo

João ficou lá no mar
E Maria na praia ficou
Foi sepultada na areia
Da praia que tanto amou

A sua sepultura
Pela areia foi feita
Formando ali uma duna
Numa homenagem perfeita

A natureza prodigiosa
Nos levou a Maria faceira
Mas ficou um sorriso brando
E criou uma duna de areia
A imponente Dama de Branco

Diz a lenda
Que em noites de lua cheia
Naquele mesmo lugar
De mãos dadas pela areia
Caminham Maria e João do mar

Mas quando o vento Norte é soprado
Na pirâmide tupiniquim
A voz de Maria é ouvida
E grita bem alto assim:
- Volte Joaõ,volte!
Meu amor não tem fim
Sempre estarei esperando
Que voce volte pra mim.

Os caronas

Seu Francisco era motorista do velho caminhão faz tudo da prefeitura de Cabo Frio.Transportava servidores,recolhia o lixo na cidade,inclusive era rabecão.
Certo dia seu Francisco foi solicitado pra ir buscar um cadáver no distrito de Massambaba,e pra isso ele recrutou dois ajudantes.Mas antes de seguir viagem ele teria que buscar um caixão na funerária de seu Lacy.
Chegando lá viu que o tal caixão estava sendo forrado com um pano roxo,mas logo foi entregue pra Manoelzinho que já esperava na carroceria.Na boléia foram seu Francisco e Romário.
Seguiram logo viagem e pela metade do caminho começa uma chuva muito forte.E Manoelzinho,já batendo os dentes de tanto frio,resolve se proteger, entra no caixão e acaba dormindo.
Num trecho da estrada dois homens pedem carona e seu Francisco com dó parou permitindo aos dois subir na carroceria.
Então retomando o caminho, ele aumenta a velocidade do caminhão pra chegar logo pro serviço.
Com os solavancos do carro Manoelzinho abre a tampa do caixão e pergunta aos dois caronas : -Olá!Pelo visto parou de chover. Os dois se entreolharam e pularam de qualquer jeito pra fora da carroceria apavorados.
Nisso Manoelzinho sem entender nada começa a gritar batendo na boléia pra seu Francisco parar e ajudar os dois. A confusão se armou quando eles se aproximam e ouvem os dois caídos e machucados gritarem:- o morto ressucitou!
O fato é verídico e se espalhou por toda região. Há quem lembre!

A grande pescaria

Seu Nacinho pergunta ao irmão Orivaldo: - Vamos marcar uma pescaria pra sábado que vem, lá na praia de Figueira?-Nesse sábado não posso. Vou bater laje lá na casa de meu filho Mequinha, em São Cristóvão. Mas no outro eu posso! Se você quiser vamos sim! E assim ficou combinada a pescaria, pra depois que a laje fosse "batida".Para a pescaria também foram convidados mais três: O Nelinho, que era irmão de Nacinho, esse irmão do Orivaldo; Zé Mulatinho e Catuaba, esses dois últimos, pescadores experientes e que sabiam muitas histórias.Chega o dia.- Como é Nacinho, onde está o Catuaba! ? - perguntava Orivaldo, impaciente para seguir logo com a pescaria.- Espere mais um pouco, que ele ficou de passar na casa do Zé Mulatinho, para pegar a isca e não vai demorar! -ponderou Nacinho em favor do retardatário.Dez minutos se passam e eis que chegam os dois, devidamente equipados, no jipe 1957, sem capota.- Como é pessoal! Vamos embora que ainda quero pegar o "serão" de noite pra ver se consigo pescar algumas enchovas! -falou Catuaba sentado ao volante do carro.E assim seguiram os cinco, apertados na cabine da pequena viatura.- Acho que faremos boa pescaria, o Carlinhos de Dêgo me disse que na semana passada, ele e mais dois companheiros, pescaram mais de trinta quilos de enchova lá na Figueira, só na parte da tarde! - falava Zé Mulatinho, enquanto preparava sua linha de varejo de praia, com todo cuidado.- É, mas também me falaram que lá está aparecendo muito cação "anequim" e "tintureiro"! - dizia Nacinho, com certo ar de preocupação, não escondendo seu pavor pelo temível peixe.- Que nada!Fora d'água, eu sou mais eu!Quero ver se ele é brabo quando estiver na beira da praia. -disse Nelinho, o mais novo da turma, querendo dar uma de machão.- Ô Mulato, você trouxe a garrafa de cana?-pergunta Catuaba, não deixando dúvidas do porquê de seu apelido.- Puxa rapaz! Comprei, mas na saída acabei deixando a boa em cima da geladeira de casa. - respondeu o interrogado.- Assim não dá!Como agüentaremos uma pescaria inteira, sem molhar o gogó com pinga?- quis saber o biriteiro.Vão seguindo viagem sem nenhum contratempo, a não ser os incômodos dos solavancos e pulos que o veículo ia dando devido ‘as costelas da estrada de chão batido. Depois de uma hora e dez minutos cravados, chegaram finalmente na Figueira.Inicialmente procuraram a casa de seu Justino, amigo do Orivaldo, pra guardar o jipe.-Ô de casa!Ô de casa! -gritou Orivaldo.Soa a voz de uma mulher: - Já vai!- Boa tarde dona, "seu" Justino está?- quis saber Orivaldo.- Ta não, senhor. Ele foi lá pra salina abrir água. -respondeu a mulher, enquanto enxugava as mãos num avental de algodão.- Nós vamos dar uma pescaria aí na praia e queríamos deixar o carro guardado aqui. - a dona responde: - Pode sim!Então, quando "seu" Justino chegar,diz pra ele que o Orivaldo de Cabo Frio pediu pra deixar o carro na praia e que ta pescando na praia. - Tudo bem!Digo sim seu Orivaldo.Depois de atravessarem as enormes e formosas dunas de praia da Figueira, começa a pescaria.A coisa não ia bem. Só quem pescou uns peixinhos, dois galos e alguns pampos, foi o Nelinho, que usava os anzóis pequenos com isca de camarão.De repente grita Nacinho, com sua linha 120: - Nelinho, Catuaba,me ajude aqui! -Acho que ferrei um dos grandes, e pela força que ta fazendo é um cação "anequim"!- Vejam só a força que o danado ta fazendo!Não consigo puxar a linha! - continua Nacinho, agora ajudado pelos amigos.Com muito esforço eles conseguem arrastar a linha pra praia.- Calma!Não puxa de uma vez não!Vamos cansá-lo pra não arrebentar o nylon! -começa Nacinho cheio de autoridade, já antevendo o sucesso que faria se conseguisse tirar o peixão d'água.- Deve ser sim um "anequim" do grande! E deve ter uns 60 quilos! -Olha lá, olha lá, quando a onda levanta dá pra ver o vulto negro do danado! -diz o Catuaba, e com o olhar que era um misto de medo e satisfação. E lúcido, pra garantir o fato.Comenta eufórico o Nacinho: - Puxa vida, nem acredito que consegui pescar um bicho desses! - Quero só ver a cara do meu cunhado Nelson, quando eu chegar a casa! – hahahaha! -Puxa logo essa linha! -diz Zé Mulatinho. -Ele vai acabar arrebentando a linha! E continua enfático: - Não vamos passar a pescaria nessa lenga lenga, por causa de um caçãozinho metido a besta gente!!!Vamos nós é meter a mão os quatro, e quero ver se ele sai ou não sai d’água! Só quero ver!E os quatro puxavam e puxavam com força. Nacinho se antecipa se armando de um porrete, pra golpear a fera quando chegasse ‘a areia.- A primeira pancada quem vai dar sou eu!-Afinal fui eu quem conseguiu ferrar esse bichão danado! - fala o Nacinho, tomando posse do relutante peixe.Foram puxando, puxando e quando finalmente conseguiu chegar na areia,foi a maior surpresa.O tão cantado peixe do Nacinho,e que deu tanto trabalho,não passava de um enorme pneu de caminhão,todo coberto de ostras e limo,devido a grande a longa permanência no fundo do mar.Foi a maior gozação em cima do Nacinho.Começa já gargalhando o Catuaba : - eu nunca ouvi falar que tinha cação com nome Firestone,não!! -e todos caem na gargalhada também, menos o Nacinho, que contava fazer bela figura quando chegasse ‘a casa com um enorme peixe.Solta então a sua o Zé Mulatinho: - Também, o Nacinho é azarado mesmo. Numa praia que vai do Arraial do Cabo até Saquarema, com quilômetros de extensão, ele conseguiu o mais difícil, que foi o de colocar a linha exatamente dentro de um pneu velho!E a grande pescaria acabou mesmo em gargalhadas.