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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Maria da praia e João do mar

Havia na praia da Barra,ainda deserta
Uma jovem chamada Maria
No corpo mulher,na mente menina
Caminhava sozinha quando a tarde se ía

Maria da praia,dengosa e faceira
Cabocla morena miscigenada de raça
Cabelos soltos ao vento e olhar profundo
Corria na praia,deslizava com graça
Formava ali o seu mundo

A sensível Maria vivia sonhando
Com um príncipe encantado de sua origem
Mas tudo que tinha era sua praia
Que pura como ela também era virgem

Sonhava a nativa bem junto do mar
Seus sonhos de amor e fantasia
E pedia as ondas que vinham
Levassem embora sua solidão e agonia
E olhando o horizonte sem fim
Sussurrava que lhe trouxessem ventos de areias
E assim quem sabe Netuno e um cortejo de sereias

Vivia Maria olhando o mar
Caminhado sozinha na tarde serena
Pisando macio na areia da praia
Esguia gazela de pele morena

Corria Maria na praia e na vida
Atrás de um amor que nunca chegava
Enquanto corria Maria sonhava
Com uma vida nada vazia
E por isso sorria

Um dia seus olhos começam a brilhar
De tanta emoção
E Maria menina conhece o amar
Estava amando,amando João

João pescador,bravo homem do mar
Vivia pescando,sem tempo pra amar
Apesar da rudeza era um sonhador
Maria era a sereia que sempre buscou
Para o João chegava o amor

Maria agora não caminhava sozinha
Com ela na praia João sempre estava
Tinham os mesmos sonhos
O sonho de Maria se realizava

Os dias passavam
E junto ao mar lá estavam
De mãos unidas e olhar perdido
No silêncio ficavam
Num amor incontido

Combinaram então suas vidas unir
Na cerimônia de simplicidade
Numa tarde vermelha
Seriam um do outro
Maria era só felicidade

No dia do casamento João logo cedo saiu
Voltaria já e depressa bem antes no entardecer
Mas o dia quase acabando
E nada do João aparecer

A tarde bem finda
João nem regressava
Maria correu pela praia
E a todos perguntava
Maria vestida de noiva
Procurava o João que amava

E Maria da praia
Esperando o João do mar
O sol a encontrou ainda
Na areia a soluçar

Quem passava pela praia
Ficava com pena de ver
Aquela mulher de branco
Pelas areias a correr

Maria ficou sozinha
Triste e na solidão
Sua praia está mais deserta
Mas não está seu coração
Ele está cheio de saudade
Sente falta de João

E Maria continua vestida de noiva
Solitária em sua praia assim
Fitando o horizonte distante
Esperando sua dor ter fim

Muitos anos se passaram
E o progresso tudo mudou
Até sua praia querida
Já se modificou
E lá continua Maria
Esperando o amor que não voltou

O vestido de noiva é o mesmo
Mas a juventude acabou
Seus passos são lentos na areia
Os cabelos perderam a cor

Daquele amor só restou
A saudade e ternura
A praia já não é a mesma
Mas Maria ainda é pura

Assim foi a estória
De um amor puro e singelo
Maria e João construíram um castelo
E o mar com ciúmes destruiu o amor tão belo

João ficou lá no mar
E Maria na praia ficou
Foi sepultada na areia
Da praia que tanto amou

A sua sepultura
Pela areia foi feita
Formando ali uma duna
Numa homenagem perfeita

A natureza prodigiosa
Nos levou a Maria faceira
Mas ficou um sorriso brando
E criou uma duna de areia
A imponente Dama de Branco

Diz a lenda
Que em noites de lua cheia
Naquele mesmo lugar
De mãos dadas pela areia
Caminham Maria e João do mar

Mas quando o vento Norte é soprado
Na pirâmide tupiniquim
A voz de Maria é ouvida
E grita bem alto assim:
- Volte Joaõ,volte!
Meu amor não tem fim
Sempre estarei esperando
Que voce volte pra mim.

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