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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Réquiem para uma Dama de Branco

  • Dama de Branco
    Amada e acariciada pelos ventos fortes e bondosos
    Catedral ecológica de pureza finda
    Morre Virgem, com seu manto rasgado e ventre dilacerado
    Pelo progresso criminoso
    De homens cegos, surdos e vaidosos ainda.

    Oh paisagem do meu amor menino
    Alisando minha pele com teu fino véu
    Trazendo aqui para o chão
    A via láctea do céu.

    Oh mãe que me viu nascer
    E me embalou em teus ondulosos seios
    Madona de pureza branca quando a aurora vinda
    Dourada senhora quando a tarde finda.

    Pirâmide de alvura
    Herança faraônica de reis da natureza
    Que em momentos de grandeza
    Olhando o céu com nobreza
    Transportou para o chão sua realeza.

    Olimpo tupiniquim de um povo bravo da beleza amante
    Ferem teu alvo ventre, rasgam o teu véu
    E sob teu manto sagrado, um corpo ondulante
    Cuja chama de tua vida, seus filhos levarão avante.

    Sai da praia, corra, voe por sobre a restinga
    Dobre a samambaia em seu caminho
    Refugie-se junto a outro mar
    Em praias de gente mais amiga
    Não deixe que maculem ainda mais o seu corpo
    Vá procurar outro carinho.

    Dama querida
    Sonho de minha infância florida
    Gaivota livre a voar em suas fraldas
    Galgando os píncaros de imaculada alvura
    Olhada da praia pelo vaidoso mar
    Imenso súdito a te devotar ternura.

    Dama
    Pequeno Saara de minha vida
    Oásis refrescante para olhos poluídos
    Que só conseguem ver beleza
    Através de tuas lentes.

    Não deixe que lhe tirem o véu
    Não lhes mostre sua pele alva, profanada por suas máquinas
    Não permita que a serpente negra do caminho de asfalto
    Macule mais uma vez o santuário branco de nossa devoção
    Não deixe que lhe roubem o manto
    Nem que lhe tirem o coração.

    Vai Dama de Branco
    Segue seu caminho sem volta
    Leve nas suas areias ondulantes, o seu grito de amor
    Calvário de sua jornada inglória
    Gólgota da tua dor.

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