- Dama de Branco
Amada e acariciada pelos ventos fortes e bondosos
Catedral ecológica de pureza finda
Morre Virgem, com seu manto rasgado e ventre dilacerado
Pelo progresso criminoso
De homens cegos, surdos e vaidosos ainda.
Oh paisagem do meu amor menino
Alisando minha pele com teu fino véu
Trazendo aqui para o chão
A via láctea do céu.
Oh mãe que me viu nascer
E me embalou em teus ondulosos seios
Madona de pureza branca quando a aurora vinda
Dourada senhora quando a tarde finda.
Pirâmide de alvura
Herança faraônica de reis da natureza
Que em momentos de grandeza
Olhando o céu com nobreza
Transportou para o chão sua realeza.
Olimpo tupiniquim de um povo bravo da beleza amante
Ferem teu alvo ventre, rasgam o teu véu
E sob teu manto sagrado, um corpo ondulante
Cuja chama de tua vida, seus filhos levarão avante.
Sai da praia, corra, voe por sobre a restinga
Dobre a samambaia em seu caminho
Refugie-se junto a outro mar
Em praias de gente mais amiga
Não deixe que maculem ainda mais o seu corpo
Vá procurar outro carinho.
Dama querida
Sonho de minha infância florida
Gaivota livre a voar em suas fraldas
Galgando os píncaros de imaculada alvura
Olhada da praia pelo vaidoso mar
Imenso súdito a te devotar ternura.
Dama
Pequeno Saara de minha vida
Oásis refrescante para olhos poluídos
Que só conseguem ver beleza
Através de tuas lentes.
Não deixe que lhe tirem o véu
Não lhes mostre sua pele alva, profanada por suas máquinas
Não permita que a serpente negra do caminho de asfalto
Macule mais uma vez o santuário branco de nossa devoção
Não deixe que lhe roubem o manto
Nem que lhe tirem o coração.
Vai Dama de Branco
Segue seu caminho sem volta
Leve nas suas areias ondulantes, o seu grito de amor
Calvário de sua jornada inglória
Gólgota da tua dor.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Réquiem para uma Dama de Branco
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